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quinta-feira, março 26, 2015

Stefan, meu herói...


Pequeno tributo a um herói.

Stefan, meu sobrinho, meu querido sobrinho, não foi homem de se deixar conhecer profundamente. Usualmente calado, geralmente ensimesmado, não compartilhava suas emoções nem seus pensamentos. Ao menos não comigo e, portanto, o que vou dizer será apenas o que pude testemunhar.

Quando criança, creio que em seu quinto aniversário, Stefan foi a uma padaria onde encontrou um amigo (um homem de 75 anos) a quem Stefan contou que era seu aniversário e pediu-lhe alguns doces.

Voltou para casa com um saco de papel repleto de bombons, barras de chocolate e muitas outras delícias, que distribuiu entre todos aqueles que, à época, conhecia como seus irmãos e irmãs (éramos nós, seus tios e tias). Ao ver que no saco de papel restava apenas um pequeno bombom Stefan ofereceu-o, ainda e só depois de se certificar de que ninguém o queria, comeu seu minúsculo e imenso presente de aniversário.

Sobre aquela data passou-se quase meio século e depois de muitos encontros e desencontros, Stefan me telefona um dia pedindo para encontrar-me com ele.
Marcamos um encontro para um domingo de novembro (2014), já perto do final do mês.
Nesse dia eu soube que Stefan havia sido diagnosticado - dias antes - com um
tumor maligno no soalho da boca, e Stefan imediatamente começou a usar adesivos de morfina para o controle da dor.

No momento do diagnóstico já não havia muito a fazer pois o tumor, extremamente agressivo, fora diagnosticado tardiamente.

Algum tempo depois alguém me telefonou dizendo-me que Stefan estava hospitalizado em uma unidade de terapia intensiva no Instituto do Câncer e, quando fui vê-lo senti um fundo aperto em meu coração. Naquele momento disse a Stefan que ao receber alta ele poderia voltar a morar comigo, se assim o quisesse.

Quando o hospital mandou-o para casa, ficou claro que Stefan deveria ter acompanhamento 24 horas e no local onde Stefan residia tal acompanhamento não seria possível, com o que eu o levei para minha casa, sentindo um pouco de medo e me perguntando; “...Deus, como vou fazer para cuidar de Stefan? Eu nunca cuidei de ninguém em minha vida...”

Já em casa todas as minhas dúvidas e dificuldades desapareceram e vivi – durante a semana em que tive Stefan aos meus cuidados - os dias mais felizes de minha vida.
Cuidar de Stefan foi um presente de Deus para mim e não daria aquele presente para mais ninguém.

Levei Stefan para casa em 02 de março (uma segunda-feira) e tornei a leva-lo para o Hospital no domingo seguinte, dia em que começou a etapa derradeira do sofrimento de meu amado e mal compreendido sobrinho.

A enfermidade evoluiu com muita rapidez e, poucos dias depois da internação ficou claro que Stefan tinha recebido tudo o que a Medicina dos homens podia fazer por ele. Restava dar-lhe o conforto possível e por isso no dia 19 de março ele foi transferido para o Recanto São Camilo, um lugar muito belo, para ter a paz possível para a sua grande travessia.

Sábado, às 22:40 Stefan nos deixou, tendo a seu lado apenas sua mãezinha ...

O Stefan que nos deixou foi um herói. A sua coragem, sua paciência, sua resignação, sua humilde aceitação de tudo o que lhe ocorria foram exemplares.

Eu acompanhei Stefan de muito perto, desde o dia em que ele deixou o hospital, em nenhum momento Stefan manifestou qualquer azedume, mágoa, ressentimento, revolta ou qualquer sentimento menos nobre .

Paciência, estoicismo e resignação cristãs. Stefan jamais soltou um grito de dor, na verdade não soltou sequer um gemido. Quando sentia muita dor tocava uma campainha para me chamar e apenas dizia em voz sumida “...morfina...”, ou “...dor...”, esforçando-se para sorrir.

Creio em meu coração que Stefan, no dizer do apóstolo Paulo.... “combateu o bom combate”.

À véspera de sua internação Stefan recebeu a visita de alguns familiares, demonstrando grande alegria.

Graças a Deus, a mamãe de Stefan – minha amada irmã – reuniu condições para vir ao Brasil desde a distante Nova Zelândia e pode estar junto ao filho amado.
Isto é tudo o que quero falar sobre meu querido sobrinho e é isto o que dele quero guardar em meu coração.

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A small tribute to a hero.

Stefan, my nephew, my dear nephew, was not a man to let you know deeply. Usually silent, usually introverted, did not share his emotions or his thoughts. At least not with me, so what I say is just what I witnessed.

As a child, I believe in his fifth birthday, Stefan was a bakery where he met a friend (a 75-year-old man) whom Stefan said it was his birthday and asked him some candy.

He returned home with a paper bag full of candy, chocolate bars and many other delights, which distributed among all those who, at the time, knew as his brothers and sisters (were we, his uncles and aunts). To see that the paper bag was left only a small candy Stefan offered it further and only after making sure that no one wanted, ate his tiny and huge birthday present.

On that date passed almost half a century and after many agreements and disagreements, Stefan calls me one day asking to meet with him.
We made an appointment for a Sunday in November (2014), toward the end of the month.
That day I knew that Stefan had been diagnosed - days before - with a
malignant tumor in the floor of the mouth, and Stefan immediately began using morphine patches for pain control.

At diagnosis was not much to do because the tumor, extremely aggressive, was diagnosed late.

Some time later someone called me telling me that Stefan was hospitalized in an intensive care unit at the Cancer Institute and, when I see him I felt a deep grip on my heart. At that time told Stefan that the discharged he could move back in with me if they wanted to.

When the hospital send him home, it was clear that Stefan should have monitoring 24 hours and at the place where Stefan lived such monitoring would not be possible, with what I took him to my house, feeling a little scared and wondering; "... God, how will I do to take care of Stefan? I never cared for anyone in my life ... "

At home all my doubts and difficulties disappeared and lived - during the week we had Stefan to my care - the happiest days of my life.
Stefan's care was a gift from God to me and would not give that gift to anyone else.

Stefan took home on March 2 (a Monday) and I again take him to the hospital the following Sunday, the day that began the final stage of the suffering of my beloved and misunderstood nephew.

The disease progressed very quickly and within a few days of hospitalization was clear that Stefan had received all that the medical men could do for him. Remained give it possible comfort and so on 19 March he was transferred to the Nook St. Camillus, a very beautiful place to have peace possible for your great crossing.

Saturday at 22:40 Stefan left us, and by his side just your mom ...

Stefan who left us was a hero. His courage, his patience, his resignation, his humble acceptance of all that happened to him were exemplary.

I followed Stefan very closely, since the day he left the hospital in no time Stefan expressed any bitterness, hurt, resentment, anger or feeling less noble.

Patience, stoicism and Christian resignation. Stefan never cried out in pain, in fact not even groaned. When a lot of pain rang a bell to call me and just said in a low voice "... morphine ..." or "... pain ...", trying to smile.

I believe in my heart that Stefan, in the words of the apostle Paul .... "fought the good fight."

On the eve of his hospitalization Stefan was visited by some relatives, showing great joy.

Thank God, Stefan's mother - my beloved sister - met conditions to come to Brazil from distant New Zealand and may be near the beloved son.
This is all I want to talk about my dear nephew and this is what it want to keep in my heart.