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segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Corações inquietos...

Já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar... Onde terá ido buscar forças Cartola para assim se expressar diante do adeus que lhe dilacerava o coração sensível de pai e de poeta? Muitas vezes ouvi, confesso que com não pequeno desconforto, que o amor que mais se aproxima do amor de Deus é o amor das mães por seus filhos. Ouso discordar. Tenho visto não poucas vezes tal amor transformar-se em desespero e em feroz egoísmo. Tenho visto mães atormentando e obsediando os filhos. Tenho visto mães explorando a beleza das filhas, estimulando seu desenvolvimento sexual, estimulando a vaidade e a vacuidade. Não, não é assim que Deus ama. As palavras do poeta são o que mais assemelha o amor de pai ao amor de Deus. Diante da irrevogável decisão de ir-se em busca de mares muitas vezes navegados e naufragados, recolhe sua dor e a transfigura em belas advertências. Nenhuma censura. Não há qualquer condenação. Sem chantagens. Qual deles se parece mais com o amor de Deus?
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