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quinta-feira, novembro 20, 2014

Apego...

QUEM ME ESTABELECEU JUIZ OU ÁRBITRO DA VOSSA PARTILHA? (Jorge Hessen)

Sem adentrar em pormenores sobre diferentes significados do termo herança (do latim haerentia) ou espólio, (do latim spollium), propomos conceituar palavra como o conjunto dos bens que integra o patrimônio deixado pelo desencarnado , e que serão partilhados, no inventário, entre os encarnados (herdeiros ou legatários).

Herança é, portanto, o direito de herdar (receber algo de uma situação anterior). Eis alguns exemplos clássicos: “O meu avô deixou para meu pai uma fazenda em Goiás como herança”, “O Santiago dilapidou a herança dos seus pais”, “minha tia deixou-me como herança um apartamento em Brasília”
Via de regra, o homem contemporâneo sonha “receber uma herançazinha” de um parente próximo abastado, “estar bem na vida”, “ganhar bem” e às vezes até contempla “trabalhar para enriquecer” , porém, normalmente , permanece sob miragens. Obviamente esse desígnio materialista , dos tempos atuais, compõe a fórmula de “ignorância dos valores espirituais na Terra, onde se verifica a inversão de quase todas as conquistas morais. Foi esse excesso de inquietação, no mais desenfreado egoísmo, que provocou a crise moral do mundo, em cujos espetáculos sinistros podemos reconhecer que o homem físico, da radiotelefonia e do transatlântico, necessita de mais verdade que dinheiro, de mais luz que de pão.” 1
Por outro lado, há pessoas riquíssimas que têm experimentado significativa desambição material. O magnata Warren Buffett , quarto homem mais rico do mundo, prometeu doar 99% de sua fortuna antes de desencarnar. Começou anunciando o direcionamento de 83% para a Fundação Gates. O bilionário afirmou que quer dar aos seus filhos somente o suficiente para que eles sintam que podem fazer tudo, mas não o bastante para que eles acharem que não precisam fazer nada. O poderoso Bill Gates, primeiro homem mais rico do mundo, Michael Bloomberg , Nigella Lawson e o músico inglês Sting, não deixarão suas fortunas como herança para os filhos. Ambos defendem a tese que seus filhos precisam trabalhar para ganhar o próprio dinheiro. 2
O tema é instigante. Os fortuitos herdeiros necessitam pensar que “há bens infinitamente mais preciosos do que os da Terra, e esse pensamento ajudará a desapegar destes últimos. Quanto menos valor se dá a uma coisa, menos sensível se fica à sua perda. O homem que se apega aos bens da Terra é como uma criança que apenas vê o momento presente; aquele que não é apegado é como o adulto, que vê coisas mais importantes, pois compreende essas palavras proféticas do Cristo: Meu reino não é deste mundo.” 3
Sobre a questão do espólio o Espírito Humberto de Campos expõe em “Cartas e Crônicas o seguinte trecho: “Em família observe cautela com testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios... (...)" 4A cobiça por uma herança é tão grave e real que o Espírito André Luiz também aconselhou que se faça uma avaliação prudente “sobre as questões referentes a testamentos, resoluções e votos, antes da desencarnação, para [o desencarnado] não experimentar choques prováveis, ante inesperadas incompreensões de parentes e companheiros. Pois o fenômeno da morte exprime realidade quase totalmente incompreendida na Terra.” 5
O Codificador inquiriu aos Espíritos se “o princípio segundo o qual o homem não passa de um depositário da fortuna que Deus lhe permite gozar durante sua vida tira-lhe o direito de transmiti-la a seus descendentes” ? Os Benfeitores elucidaram que “o homem pode perfeitamente transmitir, quando desencarna, os bens de que gozou durante sua vida, pois o efeito desse direito está subordinado sempre à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir seus descendentes de desfrutar deles; é assim que se vê desmoronarem fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. Portanto, o homem é impotente na sua vontade, julgando que pode manter a sua fortuna em sua linha de descendência, mas isso não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo que recebeu, uma vez que Deus o retirará quando achar conveniente”.


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br